quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Protógenes é carregado até a Câmara por uma piada



De onde vêm as anedotas? Por trás da interrogação esconde-se um dos maiores e mais inquietantes mistérios da vida. A ciência ainda não se ocupou do enigma da criação das anedotas porque tem medo do desafio que se esconde atrás do tema.

Repare: ninguém conhece o autor de uma piada. Quem difunde uma anedota a ouviu de outro, que a ouviu de um terceiro, que não se lembra quem contou. Na falta de explicação plausível, não resta senão supor que a piada, assim como a matéria, resulta de um processo de geração espontânea. Pois bem. O mundo ainda não sabe de onde a anedota vem. Mas o fenômeno Tiririca revela: ela pode chegar a lugares inimagináveis. Pior, quando eleita por 1,3 milhões de votantes, a piada carrega para o Congresso anedotas-satélites.

Deve-se o fenômeno a uma encrenca chamada quociente eleitoral. Funciona assim: o eleitor vota em quem bem entende...

Contados os votos, chega-se a um quociente eleitoral. Munida desse quociente, a Justiça Eleitoral vai à máquina de calcular. Calcula-se, então, o número de votos exigido para que o partido ou coligação receba cada uma das 513 cadeiras da Câmara. Assim, um campeão de votos elege-se sozinho. Mas ajuda a compor o quociente que içará à Câmara candidatos com votações mixuricas. No caso concreto: quem votou na piada Tiririca mandou para a Câmara três deputados aos quais as urnas reservaram votações risíveis.

Entre eles o delegado afastado da Polícia Federal Protógenes Queiroz (PC do B), que amealhou escassos 94,9 mil votos. Ainda pelo meio, a anedota tem final incerto. Tiririca terá de provar, nos próximos dias, que sabe ler e esrever. Do contrário, perde o mandato. Protógenes e os outros dois beneficiários –Otoniel Lima (PRB) e Vanderlei Siraque (PT)— dependem do grau de alfabetização da piada. Dito de outro modo: o xerife da Satiagraha deve o mandato a uma anedota que, por ora, tem aparência de ilegalidade.

O que era motivo de riso tornou-se coisa séria.

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