sábado, 22 de setembro de 2012

Secretário diz que seca na Bahia se agravou e prevê pior dos cenários em 2013



Para quem acha que o grave problema da seca no interior da Bahia regrediu pelo fato de o tema ter praticamente sumido do noticiário, está enganado. A situação continua grave e pode piorar ainda mais, de acordo com o secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), Eduardo Salles em entrevista ele  lamentou a persistência da estiagem e previu ainda um preocupante agravamento da situação até o ano que vem. "Mesmo com as intervenções do governo, é quase impossível contornar a situação. Esse é o momento mais difícil que a agropecuária baiana já viveu nos últimos 50 anos", afirmou.

Mais da metade em estado de emergência

Até o momento, 258 municípios decretaram situação de emergência na Bahia por conta da seca, 60% do total. Ao todo, cerca de cerca de 2,4 milhões de pessoas são afetadas pela falta de chuvas. De acordo com a Coordenação Estadual de Defesa Civil (Cordec), os municípios têm sido abastecidos prioritariamente por carros pipa. Segundo dados divulgados pelo governo, entre o início de 2011 e agosto desse ano, já foram investidos R$ 4,05 milhões em 153 convênios para abastecimento de água através de carros pipa, atendendo 495 mil pessoas -- cerca de um quinto dos atingidos pela seca.

A Barragem Manoel Novaes, mais conhecida como Barragem de Mirorós, que abastece 14 municípios baianos, está operando com 8% da sua capacidade. Segundo Raimundo Neto, gerente da unidade regional da Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa), em no máximo seis meses pode haver interrupção do abastecimento. "Nossa prioridade é o consumo humano, o qual já está prejudicado. A situação está muito complicada", afirmou.

Crise produtiva

Até o início deste ano, a Bahia tinha o maior rebanho caprino, o segundo maior de ovinos e o terceiro rebanho leiteiro, de acordo com a Seagri. No entanto, após a longa escassez de água, 4% dos rebanhos estão perdidos, conforme pesquisa realizada pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

Quanto ao plantio nas áreas atingidas, o secretário Eduardo Salles conta que somente a região Oeste da Bahia conseguiu colher parte da safra. Nos outros locais, praticamente tudo foi perdido. "As plantações perenes estão afetadas como é o caso do café, mas a lavoura está comprometida. A produção leiteira também está praticamente perdida. Alguns produtores já fecharam as portas", informou.

Cidades há dois anos sem chuva

Estudos da Seagri apontam que a atual seca persiste desde 2010, e por isso é possível que os índices pluviométricos aumentem daqui para frente. "Em alguns municípios não chove há dois anos, mas a situação está melhorando como o caso da região da Chapada Diamantina. Espero que o quadro atual melhore, senão a seca de 2013 será muito pior que a atual", alertou.

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